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Adolescência e Drogadição

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INTRODUÇÃO

a)      Iniciativa do Governo: A partir do próximo ano, alunos da 5ª à 8ª séries do ensino fundamental e também os do ensino médio da rede pública de todo o Brasil terão aulas sobre prevenção ao uso de drogas. Cerca de 20 mil professores serão capacitados, a partir de novembro, para conscientizar os alunos sobre os riscos do uso de drogas. O objetivo é transformar educadores em agentes de prevenção e de proteção à criança e ao adolescente. O curso faz parte da política da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) de integrar família, escola e instituições na promoção da saúde e prevenção às drogas, e será realizado em parceria com o Ministério da Educação e a Universidade de Brasília (UnB).

b)      Definição: Segundo a Organização Mundial da Saúde, "droga é toda a substância que, introduzida em um organismo vivo, pode modificar uma ou mais de suas funções". É entendida também como o nome genérico de substâncias químicas, naturais ou sintéticas, que podem causar danos físicos e psicológicos a seu consumidor. Seu uso constante pode levá-lo à mudança de comportamento e à criação de uma dependência, um desejo compulsivo de usar a droga regularmente, ao mesmo tempo que o usuário passa a apresentar problemas orgânicos decorrentes de sua falta.

c)      Dados: Embora a ONU estime que hoje existam 180 milhões de usuários no mundo, envolvendo tanto as drogas consideradas lícitas como as ilícitas, existem ainda vários preconceitos e estigmas em torno do tema e de seus usuários bem como uma desinformação sobre os fatores que levam ao uso ilícito destas substâncias e que fazem com que, ora seus usuários sejam vistos como doentes ou vítimas da sociedade, ora como maus elementos ou criminosos. Só complementando, vale lembrar que o Brasil ocupa o 4º lugar entre os consumidores de psicotrópicos do mundo.

1. ADOLESCÊNCIA E DROGAS (qual a relação)

O uso de drogas na adolescência é uma questão que preocupa cada vez mais os pesquisadores e profissionais da saúde e educação. As pesquisas epidemiológicas mostram que o uso e abuso de drogas aumenta em ritmo acelerado (Carlini, 1990; Carlini & Cotrim, 1994) e que é na adolescência que, em geral, inicia-se o consumo. Ao mesmo tempo, observa-se que o tema das drogas é frequente na mídia.

Segundo Steinberg (1996), a adolescência é um período de crescimento no qual o indivíduo precisa realizar diversas tarefas para efetuar a passagem da infância à vida adulta. Essas tarefas estão relacionadas a algumas mudanças características deste período. A principal tarefa da adolescência é a busca pela identidade sexual, social e psíquica. A partir das mudanças ocorridas na puberdade, o adolescente desenvolve a necessidade de conhecer seu próprio corpo e de explorar a relação com o corpo do outro, na busca por um comportamento sexual apropriado. Para o autor, a identidade social e psíquica se constitui através dos conflitos entre a necessidade de independência dos pais, por um lado, e a aproximação e dependência do grupo de amigos, por outro. Pais e amigos têm uma grande importância para a formação de um código de valores próprios do adolescente. Esse será constituído a partir da interação social e da escolha de elementos adquiridos na infância, tornando-se parte de sua identidade adulta.

A partir das afirmações supracitadas, podemos afirmar que, por esses conflitos, a adolescência é caracterizada como um período complexo no qual as drogas podem ser usadas, entre outras coisas, como um artifício virtual para catalisar a resolução dessas tarefas. Em função da confusão entre dependência e independência, o uso de drogas pode ser visto como uma forma pela qual o adolescente poderá tentar rebelar-se contra a autoridade representada pela família, pelas leis e pela sociedade. Além disso, as drogas podem ser encaradas pelo adolescente como uma forma de socialização, que lhe permite integrar-se a um grupo e não ser excluído dele.

Nesse processo de crescimento e de constituição subjetiva, o adolescente recebe influências da sociedade. Atualmente, a mídia ocupa um papel dominante na mesma, apresentando modelos ideais influenciados pela ideologia atual. O adolescente poderá encontrar aí referências para o seu desenvolvimento.

1.1. O adolescente

Os limites de início e término da adolescência são definidos cronologicamente.

O adolescente é visto com um indivíduo carente de informações, percebe-se uma apresentação do cidadão, em particular jovem, como ser indefeso, necessitando de orientação e proteção. Por exemplo: "É isso que você não pode esquecer de ter sempre na cabeça". Enfatiza-se, dessa forma, o autor como detentor do conhecimento enquanto o adolescente, como aquele que precisa desse conhecimento e não o possui. Isso contribui para a não-construção de um pensamento crítico em relação ao texto, já que o leitor não possui subsídios para tanto.

O jovem é, geralmente, colocado numa situação de passividade em relação à sua realidade social. Ele é um sujeito que não age sobre sua realidade. O sujeito (adolescente) está submetido à turma, e os membros desta estão submetidos ao poder das drogas, sem ter vontade nem opinião próprias, sendo impelido pela droga a tomar suas decisões. Por exemplo, Se no grupo pintar uma roda de ‘fuminho’, ele resiste no começo, mas depois experimenta. A droga faz a pessoa se colocar em situações de risco, ao dirigir louca, por exemplo. Essa passividade remete-se à posição hierarquicamente superior do autor do texto, que tem o "dever moral" de informar e guiar o adolescente desinformado.



 

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