
Rev. Itamar A. Araújo
“Nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência” (Ef 2.2).
O escritor John Stott, expondo sobre o texto acima, discorrendo sobre o que significa “curso deste mundo”, diz que a “frase grega é ‘segundo o século deste mundo’. Junta os dois conceitos de ‘este século’ do mal e das trevas (em contraste com a ‘era do porvir’) e de ‘este mundo’, a sociedade organizada sem referência de Deus ou – conforme poderíamos dizer – o ‘secularismo’... Assim, as duas palavras, ‘século’ e ‘mundo’ expressam todo um sistema de valores sociais que está alienado de Deus. Permeia e até domina a sociedade não-cristã, e subjuga as pessoas ao cativeiro.
Sempre que os seres humanos são desumanizados – pela opressão política ou pela tirania burocrática, por um ponto de vista secular (repudiando a Deus), ou amoral (repudiando absolutos), ou materialista (glorificando o mercado consumidor), pela pobreza, pela fome ou pelo desemprego, pela discriminação racial, ou por qualquer forma de injustiça – ai podemos detectar os valores sub-humanos do ‘presente século’ e ‘deste mundo’. A influência é persuasiva ao extremo. As pessoas tendem a não ter uma mente própria, mas entregam-se à cultura popular da televisão e das revistas sedutoras. É uma escravidão cultural. Nós todos éramos iguais até que Jesus nos libertasse”.
A expressão A IGREJA NO MUNDO, MAS NÃO O MUNDO NA IGREJA é axiomática. Se por um lado lemos nos evangelhos sobre que os cristãos são “SAL” e “LUZ” (Mt 5.13), que não devem se conformar com este século (Rm 12.2), percebe-se uma relativização nos valores, um frouxidão moral, uma adequação cultural pecaminosa a ponto de se verificar, sem ser necessário usar lente de aumento, o mundo entrando na igreja através de práticas que vão desde um linguajar obsceno até a carnalidade de relacionamentos sem compromisso, como o “ficar” tão comum na sociedade não-cristã.
O que fazer? A ação deve ser mais eclesial do que pastoral. Ou quem sabe, as duas concomitantemente. Mas uma coisa é certa, além da orientação pastoral, a igreja deve ser exortada mutuamente, o povo de Deus deve corrigir-se uns aos outros em amor no que tange a não se amoldar ao mundo. “Exortamo-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos” (1 Ts 5.14).





